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07 Set. 2018

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TENDINITE OU TENDINOSE? COMO ABORDAR?

Atendendo ao público-alvo deste projecto, pretendo com este texto gerar a inquietude necessária para que todos se sintam motivados a pesquisar um pouco mais sobre o que vos apresento e, dentro dos possíveis, sensibilizar-vos para a evolução conceptual que muitas formas de treinar, prevenir e tratar apresentam em pleno ano de 2014.

É bem aceite que perante um quadro de lesão do tendão, um correcto alinhamento articular e um excelente controlo motor são factores decisivos para uma melhor recuperação do mesmo. Na sequência do exposto, não é possível, por exemplo, recuperar eficazmente um tendão supra-espinhoso (ombro) se o atleta apresenta uma restrição da mobilidade da articulação escapulo-torácica ou esterno-clavicular, ou um deficiente controlo motor de músculos como o trapézio inferior e grande dentado.

Mas será suficiente melhorar o alinhamento articular e controlo neuromuscular caso o tendão apresente verdadeiras alterações estruturais, detectadas recorrendo por exemplo ao estudo ecográfico? Não.

As lesões no tendão têm uma prevalência variável que pode alcançar os 40 a 50% em desportos como o voleibol ou aqueles que impliquem actividades de aceleração e desaceleração (Ferreti, et al., 1990; Lian, et al., 1996). Assim, são vários os desportistas que precocemente abandonam as suas carreiras por apresentarem danos tendinosos.

A grande questão passa então por, como recuperar eficazmente uma lesão no tendão?

O papel da fisioterapia dita convencional (calor, frio, massagem, ultra-som, fricção transversal, ondas de choque, laser, etc) e da medicina (medicamentos anti-inflamatórios e injecções de corticóides) nestes casos continua sem apresentar eficácia com evidência científica (Maffulli, et al., 2008).

Além do mais, contemporaneamente atribui-se grande parte do insucesso verificado no tratamento das lesões no tendão à lacuna evidenciada por alguns profissionais no entendimento da histopatologia e mecanismos biológicos de regeneração do tendão.

Serão frequentes os casos de tendinites? Não. Serão frequentes os casos de tendinoses? Sim.

É urgente que todos conheçam as importantes repercussões clínicas (no âmbito da avaliação e tratamento) que a análise etimológica destes dois termos permite.

TendinITIS = lesão no tendão acompanhada de inflamação (associada a processosagudos). Raro.

TendinOSIS = patologia crónica degenerativa sem inflamação (associado a degeneração intratendinosa – lesões por sobreuso relacionado com a idade, microtraumas e compromisso vascular). Muito frequente.

Em resumo, o modelo tradicional de “tendinite” como um processo inflamatório, está actualmente em desuso, pelo facto de existirem numerosas publicações que descrevem o processo patológico do tendão como sendo degenerativo (tendinose). Esta afirmação é sustentada pela ausência de células inflamatórias e pela presença de zonas de desorganização e falência do colagénio que constitui o tendão, aumento da substância mucóide, anormal neovascularização, focos de necrose e calcificação, que se associa a uma falha nos processos de reparação do tendão (Khan et al.,1999; Riley, 2004).

Se não existe inflamação (tendinite), todas as intervenções cujo objectivo passa por diminuir a inflamação serão ineficazes. Existindo um processo degenerativo do tendão (tendinose) será determinante utilizar procedimentos que potenciem uma verdadeira regeneração/reorganização da estrutura do tendão.

Como? Que alternativas existem?

Afortunadamente, na última década gerou-se um importante movimento de investigação de novas linhas de tratamento das lesões tendinosas.

Na sequência do aduzido, apresento aquele que actualmente é tido como um dos mais eficazes tratamentos das lesões dos tecidos moles (onde se inclui o tendão) – Técnica de Electrólise Percutânea Intratecidular ecoguiada (com recurso a ecógrafo), criada pelo fisioterapeuta espanhol Prof. Dr. José Manuel Sánchez Ibañez.

Em Janeiro de 2014, foi publicada na importante revista Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy um artigo sobre o tratamento da tendinopatia rotuliana. Neste, pode ler-se que resultou num importante aumento da  função do joelho, permitindo o retorno à actividade em poucas sessões. O procedimento foi ainda tido como seguro e sem recidivas (follow-up de 10 anos). Outros importantes estudos foram já publicados por exemplo em 2013 no International Journal of Physical Medicine & Rehabilitation e em 2014 no International Journal of Clinical & Medical Imaging, validando também a técnica.

Como funciona a técnica

Consiste na aplicação de uma corrente eléctrica contínua (CC), através de um agulha de acupunctura, que actua como eléctrodo negativo e cujo objectivo é provocar uma reacção electroquímica na região degenerada do tendão. Todo o procedimento é realizado e controlado ecograficamente (é desaconselhada a utilização da técnica sem recurso ao ecógrafo). O principal objectivo é produzir uma ablação electrolítica não termal do tecido degenerado (o que potenciará a remoção do tecido tendinoso deteriorado).

Fundamentos da técnica

A corrente eléctrica induzida ao atravessar o tecido tendinoso patológico, com amplitude e tempo determinado, produz uma série de mudanças significativas no tendão que promovem a fagocitose e a activação biológica da reparação/regeneração do tendão que se apresentava alterada pela cronicidade do processo degenerativo (tendinose).

Em resumo, gera um processo inflamatório (surge neoangiogénese dos capilares adjacentes que invadem a região lesada) especificamente na zona lesada do tendão (daí a importância da realização da técnica com ecógrafo), que é absolutamente determinante para reactivar os mecanismos de regeneração da área intervencionada.

Em jeito de conclusão, termino citando o Prof. Dr. José Urrialde, presidente do Consejo General de Colegios de Fisioterapeutas de España, no prólogo do livro Fisioterapia Invasiva (Elsevier, 2013): “...É necessário distinguir o José Manuel Sánchez Ibáñez, criador da técnica sem dúvida a descoberta espanhola mais importante do presente século para a fisioterapia mundial, que constituiu um marco histórico que deve ser reconhecido e aplaudido”.

A técnica consiste na aplicação de uma corrente eléctrica contínua (CC), através de um agulha de acupunctura, que actua como eléctrodo negativo e cujo objectivo é provocar uma reacção electroquímica na região degenerada do tendão.

Na prática

1. Avaliação clínica + avaliação ecográfica

2. Selecção dos parâmetros adequados

3. Aplicação da técnica ecoguiada

Benefícios relativamente a outras técnicas:

1. É um tratamento local no ponto exacto da lesão. Com a ajuda do ecógrafo, aplica-se de forma directa sobre o tecido alterado e/ou degenerado.

2. Inicia eficazmente a reparação do tecido afectado. É capaz de iniciar um novo processo de proliferação do tecido de colagénio que, nestes casos, se encontra desagregado.

3. As modificações na estrutura e no comportamento mecanobiológico do tecido mole são imediatas e em tempo real.

4. A efectividade é muito alta comparativamente a tratamentos convencionais de fisioterapia ou médicos.

5. A frequência de recidivas é baixa.

Indicações
1. TENDÃO (tendinopatias, tenossinovites, pós cirúrgicos)

2. MÚSCULO (roturas musculares agudas e crónicas, fibroses, pontos gatilho)

3. LIGAMENTO (entorses fase crónica)

4. OUTROS (fasceite plantar, túnel cárpico, periostite, etc).