28 Dez. 2018

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Oncologia e Treino

É sabido que a incidência de casos oncológicos têm vindo a crescer nos últimos tempos, felizmente pelo estado actual da medicina e dos meios de diagnóstico e terapêutica a mortalidade tem vindo a reduzir. Apesar da sua efectividade, os métodos de tratamento oncológicos trazem alguns efeitos secundários e sequelas de foro fisiológico e, directamente ou indirectamente, do foro psicológico e emocional.

Assim é fundamental tentar saber de que maneira conseguiremos reverter esses efeitos secundários, evitar sequelas, não permitir decréscimos de performance e de qualidade de vida assim como permanecer activos socialmente. O treino, mais ou menos estruturado, tem vindo a ser estudado com uma ferramenta que influencia positivamente todos estes factores. Apesar de não ser objectivo deste artigo, apesar de ainda controverso e longe de ser transversalmente aceite, o exercício começa a mostrar que até nos marcadores directamente ligados às patologias oncológicas poderá ter um efeito.

As terapêuticas mais utilizadas, mostrando maior efectividade, são a radioterapia, a quimioterapia e em casos mais específicos, (como o cancro da próstata) a privação andrógenea. São as queixas mais comuns a fadiga extrema – durante e após tratamento -, as náuseas, a diminuição da qualidade de vida, dos índices de bem-estar emocional e participação social e assim como o aumento de peso, diminuição de densidade muscular e óssea.

O tipo de exercício mais estudado para reverter estas condições é o que visa o desenvolvimento dos sistemas energéticos (especialmente o aeróbio) sustentado na hipótese da instalação de fadiga ser causada por alterações cardíacas que levam a uma debilidade cardiovascular – um processo designado por toxicidade pulmonar. Este facto é corroborado pela evidência científica, num número bastante razoável de estudos, quando se mostra a efectividade deste tipo de treino principalmente nos campos da fadiga, diminuição de quadros depressivos, qualidade de vida, prevalência de náuseas e melhoria/manutenção da composição corporal. É satisfatório perceber que, mesmo em contextos domiciliários não controlados, os planos de treino aeróbio mostraram-se bastante efectivos. 

Alguns estudos de treino aeróbio não mostraram resultados satisfatórios nas sequelas ligadas aos tratamentos, mas concluíram-se como seguros e causadores de melhoria de performance e qualidade de vida.

No entanto, devido a maior parte das condições provocadas pelos tratamentos oncológicos serem de foro mais catabólico, faz sentido instituir um treino que vise mais a competências da força e da melhoria da arquitectura muscular. Apesar de não tão estudado pela ciência, recentemente tem havido uma tentativa de comprovar a efectividade deste tipo de treino e a sua superioridade relativamente ao treino aeróbio – na sua maior abrangência de benefícios e na longevidade dos mesmos. A verdade é que os estudos mais recentes têm concluído uma influência positiva em todas condições provocadas pela radioterapia, quimioterapia mas, principalmente, na terapia de privação andrógenea mostrando aumento de qualidade de vida, participação social, diminuição de fadiga, melhoria do sono, manutenção da massa gorda, aumento da massa magra, aumento da densidade muscular e óssea – sem qualquer tipo de ameaça à segurança do indivíduo!

Em suma, apesar de maior efectividade do treino de força, é sugerido um treino que vise as duas competências referidas havendo clara evidência no seu benefício. Por exemplo, no caso de cancro da mama, doentes que tenham uma vida mais activas antes, durante e após o seu diagnóstico baixam a probabilidade de mortalidade e recidiva drasticamente (em 40% a 50%) provavelmente associado a uma melhoria nos níveis de insulina no sangue em jejum e na sensibilidade da mesma.

Também é descrito, abrangendo mais os casos de cancro da mama, um benefício de um reeducação alimentar co-adjuvante ao exercício e todas as terapêuticas propostas pelo corpo médico.

Visto tratar-se de uma condição que deve ser abordada com alguma sensibilidade é sugeridos pelas grandes instituições oncológicas internacionais que a implementação do plano de treino e a sua condução seja realizada por um fisioterapeuta e/ou especialista em exercício.

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