14 Mar. 2019

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O domínio das emoções no processamento da dor

De acordo com a Associação Internacional do Estudo da Dor, a dor é descrita como "uma experiência sensorial e emocional desagradável”. É o primeiro sinal de qualquer lesão tecidular. No entanto, a dor é muito mais do que uma sensação; inclui, obviamente, a perceção, a interpretação subjetiva do desconforto.

A perceção da dor dá informação sobre o local, a intensidade e a natureza da dor. É, claramente, algo multidimensional, diferente de indivíduo para indivíduo, completamente dependente do contexto e do estado psicológico e emocional da pessoa.

Sem dúvida alguma, que a sensação de dor é essencial para a experiência humana. Embora, muitos profissionais ainda a vejam e a tratem apenas como componente sensorial (visão unidimensional), é fundamental, também, ter em atenção características emocionais, cognitivas, afetivas, fisiológicas e socioculturais (visão multidimensional).

Categorizações da dor:

A dor é tradicionalmente dicotomizada em dois tipos: dor aguda e crónica.

A dor aguda pode ser vista como um “sinal de alarme”. É uma perceção provocada pela interação entre muitas redes neuroimunológicas. “Sensores de alarme” (nociceptores) detetam alterações que podem colocar em risco a integridade dos tecidos / sistema (=lesão). Por outro lado, a dor crónica é aquela que persiste ou se prolonga por mais de três meses.

Normalmente, existem mudanças:

  •  neurais;
  •  biológicas;
  •  psicológicas (medo, ansiedade, depressão);
  •  sociais (retração social).

O estado emocional e a sua relação com os níveis de dor:

Atualmente, muito se tem vindo a analisar sobre os efeitos do estado emocional e dos fatores de resiliência (auto-eficácia, esperança e pensamento positivo) na promoção da saúde mental e física.

Estudos de neuroimagem evidenciam que estados emocionais negativos e o foco excessivo na dor, podem levar a pessoa a entrar num círculo de medo evitando a realização de movimentos. Esse asilo ao movimento faz com que se altere a estrutura e a função dos circuitos cerebrais da região frontal.

Por outro lado, pessoas com grandes níveis de otimismo e com um estado emocional positivo, são muito mais capazes de:

  • lidar de uma forma mais eficaz com os fatores de stresse;
  • resolver os desafios do dia-a-dia;
  • determinar metas e objetivos para a sua recuperação;
  • serem pró-ativas no seu processo de reabilitação e readaptação.

Investigações importantes, salientam que o exercício que integra a dicotomia corpo-mente (meditação) diminui a dor e tem efeitos complacentes sobre a massa cinzenta do cérebro e a conectividade dentro dos circuitos moduladores da dor.

Exemplos:

Vários estudos evidenciam que:

  •  indivíduos com cancro no pulmão, cérebro e pescoço, TCE, artrite reumatoide, distúrbio temporo-mandibular e osteoartrite, com expetativas positivas e grande otimismo na sua recuperação, apresentam menos sintomatologia dolorosa, menor incapacidade funcional e maior satisfação pessoal;
  •  pacientes com dor na região pélvica e/ou fibromialgia, relatam adversidades durante o período de infância (divórcios ou conflitos familiares) e/ ou determinados problemas na idade adulta. Isso conclui que o stresse (diminuição da dopamina e serotonina) e o trauma psicológico podem despertar ou exacerbar a dor.

A título de curiosidade:

No século II, o poeta romano Juvenal já apelava à ligação entre o corpo-mente (“mens sana in corpo sano”).

Atualmente, todos os profissionais da área da saúde devem-se reger pelo modelo biopsicossocial, que implica um processo de tratamento baseado nos aspetos biológicos, psicológicos e sociais do individuo. Nesse sentido, são notórios a procura e o aconselhamento de aplicações móveis e exercícios que ajudem no relaxamento mental para o encontro do bemestar pessoal.

A reter:

A boa saúde mental, que se liga a reflexões positivas sobre a vida e nós próprios, tem uma grande ligação com o corpo e, automaticamente, com a integração no meio social.

Por isso, na FISIOGlobal acreditamos e promovemos ao utente a manutenção do corpo e mente saudável, através do:

  • Movimento (exercício clínico) – dizer “não ao sedentarismo” estimula o sistema imunitário, melhora a saúde mental e ajuda na prevenção de doenças;
  • Nutrição – a boa alimentação permite movimentarmo-nos melhor, diminuindo a probabilidade de lesão e aumentando a energia e a regeneração dos tecidos;
  • Psicologia – permite o autoconhecimento; a gestão mais eficiente das emoções e do comportamento perante as adversidades do dia-a-dia; e o desenvolvimento de um mindset positivo;
  • Descanso – 7h a 9h de sono proporciona a consolidação de novas aprendizagens e melhoria da recuperação da fadiga, da condição física e da regeneração dos tecidos.

 

 

Bibliografia:

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