26 Set. 2019

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Qual a melhor abordagem para problemas músculo-esqueléticos?

Problemas músculo-esqueléticos (dores lombares, tendinopatias, artroses, etc.) são um dos problemas de saúde mais prevalentes e que maiores custos apresentam.

Há uma relação direta, em ambos os sentidos, entre as desordens muscúlo-esqueléticas e o trabalho laboral, por falta de condicionamento físico mínimo que esses mesmos trabalhos exigem.

Num estudo muito recente foram identificados os maiores problemas/dificuldades em consultas relacionadas com a dor muscúlo-esqueléticas:

Excessivo uso de exames imagiológicos: É muito frequente o uso de Exames Complementares de Diagnóstico (ECD), como Raio-X, Ecografias ou Ressonâncias Magnéticas, embora cada vez mais evidência científica afirme que se deve reduzir o número de ECD realizados. Só devem ser solicitados em casos muito específicos.

Realização excessiva de cirurgias: Embora cada vez mais seja contra-indicado (salvo raras excepções) a realização de cirurgias em diversas condições (osteoartrose, atrodese lombar (fusão de duas vértebras), meniscectomias degenerativas…), a taxa de cirurgias aumenta de ano para ano.

Excessivo uso de Opióides: Apesar do uso de opióides ser muito questionável se realmente tem algum efeito no manuseamento de condições músculo-esqueléticas e a sua prescrição deva ser limitada, “há um uso crescente e uma 'epidemia' de prescrição de medicamentos relacionados com opiáceos“.

Falha em prestar educação e aconselhamento desde a primeira consulta: Cada vez mais a evidência suporta a prestação de informação educativa, como parte do tratamento, em todos os domínios que envolvem a patologia/condição. Apesar disso, apenas 20% dos pacientes receberam essa mesma informação como cuidado primário, segundo um estudo científico.

O mesmo estudo que identificou os problemas supracitados em consultas relacionadas com condições músculo-esqueléticas, também elaborou 11 recomendações baseadas em toda a evidência cientifica existente com boa qualidade:

  1. O paciente deve ser o centro da abordagem: O paciente é o mais importante em todo o processo. Deve-se ter em conta o contexto e as decisões devem partilhadas.
  2. Identificar “Red Flags”: “Red Flags” significa que o utente apresenta sinais de patologia grave (fratura, tumor, síndrome cauda equina, etc.). Devem-se excluir estas na anamnese, caso contrário reenviar para profissional qualificado.
  3. Avaliar factores psico-sociais: Cada vez mais evidência demonstra a importância dos factores sociais, psicológicos e emocionais na relação com a dor, patologias e disfunções.
  4. Desencorajar o uso de ECD: Excepto, se houver suspeita de patologia grave, se não houver progressão positiva no tratamento conservador ou se os sintomas progredirem de forma inexplicável.
  5. Promover exames físicos: Um exame físico com qualidade permite ser mais preciso na identificação dos pontos a melhorar. Este deve incluir, por exemplo, avaliação neurológica, da mobilidade e das capacidades físicas.
  6. Avaliar a progressão do utente: Avaliar de forma subjectiva e objectiva toda a progressão para melhor monitorização do processo e para ir adaptando o plano conforme as necessidades. Pode também servir como reforço positivo durante a evolução.
  7. Promover educação e aconselhamento: Explicar ao paciente em que consiste a sua condição, como geri-la, e quais as melhores estratégias para, em conjunto, obterem o melhor resultado possível.
  8. Promover actividade física e/ou exercício: O exercício físico tem inúmeros benefícios, comprovados cientificamente, tanto na promoção da saúde como na reabilitação.
  9. Terapia manual: Terapia manual é uma excelente ferramenta, mas não deve ser utilizada individualmente. Deve estar acoplada a estratégias ativas.
  10. Optar pelo tratamento conservador: Salvo raras excepções (e.g., “Red Flags”), oferecer sempre informação baseada em evidência não cirúrgica sempre antes da cirurgia. Esta deve ser a última opção.
  11. Promover o retorno às actividade diárias: Dentro das possibilidades os utentes devem manter ou retornar o mais rápido possível tanto à actividade laboral como as actividades da vida diária.


Bibliografia:

Should exercises be painful in the management of chronic musculoskeletal pain? A systematic review and meta-analysis

Incidence and prevalence of upper-limb work related musculoskeletal disorders: A systematic review

What does best practice care for musculoskeletal pain look like? Eleven consistente recommendations from high-quality clinical practice guidelines: systematic review

Low Back Pain and Best Practice Car