01 Maio 2020

Notícias

Máscara facial: vale a pena usar?

O uso de máscaras faciais tem dividido opiniões entre países e organizações internacionais. E, mesmo em Portugal, a informação veiculada pelos meios de comunicação social acerca do tema nem sempre foi consensual. Tanto não foi, que existem ainda muitas dúvidas sobre a pertinência do uso de máscaras, por quem e em que circunstâncias.

Todos ouvimos Graça Freitas, diretora da Direção-Geral da Saúde (DGS), afirmar que o uso de máscara não era essencial e que podia até mesmo dar uma falsa sensação de segurança. Desde então, esta orientação já mudou, mas nem todos compreendemos bem porquê. Em primeiro lugar, é necessário contextualizar a afirmação de Graça Freitas: de facto, o uso de máscara facial pode levar-nos a facilitar um pouco mais no cumprimento de outras medidas de contenção da pandemia como são a higienização frequente das mãos e a etiqueta respiratória. Ora, tal não deve e não pode acontecer. Importa também salientar que quando esta afirmação foi proferida, não existiam máscaras suficientes para os profissionais de saúde, muito menos para a população em geral e, por isso, era necessário racionar a sua distribuição.

Não obstante, desde então, têm surgido muitas instituições a defender a importância do uso de máscara facial por toda a população, como forma de conter o contágio por Covid-19.

Ordem dos Médicos lança movimento #MáscaraParaTodos

A Ordem dos Médicos lançou, neste contexto, o movimento #MáscaraParaTodos, que defende precisamente “a utilização generalizada de máscaras comunitárias em todo o espaço público para evitar a propagação da COVID-19.” O movimento, que tem contado com o apoio de diversas personalidades da comunidade médica e científica, incentiva ainda a população a fazer máscaras caseiras, disponibilizando instruções e tutoriais de apoio.

Sob o mote “A minha protege-te, a tua protege-me”, a Ordem dos Médicos defende que, tratando-se esta de uma doença em muitos casos assintomática, “é fundamental implementar o uso de máscara de proteção nos espaços públicos fechados” por toda a população. “A sociedade civil deu um exemplo de maturidade durante esta pandemia. Agora é o momento de estarmos juntos na defesa e aplicação de uma medida essencial para todos nós. Contamos com todos para voltar a erguer Portugal”, apelou Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos. Todavia, importa sempre salientar que o uso de máscara não dispensa a necessidade de manter o distanciamento social, a etiqueta respiratória, a lavagem frequente das mãos e todas as outras medidas de contenção recomendadas.

Mas então, que papel têm afinal as máscaras na prevenção do contágio?

Ora, como sabemos, o coronavírus propaga-se através de gotículas que expelimos pelo nariz e pela boca. Pois bem, as máscaras faciais, servem precisamente para cobrir o nariz e a boca. Assim, quer esteja ou não infetado – porque sabemos que existem muitos doentes assintomáticos – qualquer indivíduo que utilize a máscara vai simultaneamente conter a propagação pelo ar dessas gotículas e prevenir a sua entrada pelo seu próprio nariz e boca. Sabe-se que as máscaras são, no entanto, mais eficazes a limitar a libertação de gotículas pelo seu portador do que a protegê-lo de outras vindas do exterior.

Outra questão importante a ter em conta é que o distanciamento social recomendado de 1 a 2 metros pode nem sempre ser suficiente para nos proteger das gotículas projetadas pela tosse ou espirro de um doente infetado (que podem atingir distâncias superiores a 6 metros).

Tem-se vindo a constatar também que países que adotaram o uso obrigatório de máscara facial por toda a população em locais públicos têm registado evoluções mais favoráveis e controladas da doença, como são disso exemplo, o Japão, Singapura, ou mesmo na Europa, a República Checa.

DGS publica norma a defender o uso de máscaras pela comunidade

No passado dia 13 de abril, e seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e as perspetivas europeias, a DGS publicou uma norma a defender o uso de máscaras faciais pela comunidade, como medida complementar a aplicar no sentido de limitar a transmissão do vírus. No documento pode ler-se que a DGS passa a encarar “o uso de máscaras por todas as pessoas que permaneçam em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas, como medida de proteção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória”.

São, no entanto, deixadas algumas ressalvas a esta nova orientação. Desde logo, e tal como a OMS e o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) também têm vindo a alertar, a necessidade do uso da máscara pela população não pode diminuir a sustentabilidade de acesso a máscaras pelos doentes e profissionais de saúde. Além disso, a DGS reforça que a utilização de máscaras pela população “implica o conhecimento e domínio das técnicas de colocação, uso e remoção”, e que “não pode, de forma alguma, conduzir à negligência de medidas fundamentais como o distanciamento social e a higiene das mãos”. A DGS tem disponível um vídeo onde podemos ver, em detalhe, como proceder corretamente ao colocar e retirar a máscara facial.

Cada indivíduo é hoje um agente de saúde pública… se cada um fizer a sua parte, estaremos todos mais protegidos.

 

Referências Bibliográficas:

Direção Geral da Saúde – Covid-19

Relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças

DGS – Norma para o uso de máscaras

Ordem dos Médicos

Movimento #MáscaraParaTodos

Everything you need to know about face masks | COVID-19 Special